A educação das crianças e adolescentes não acontece de forma isolada. Ela é fruto de uma construção diária que depende diretamente da integração entre duas frentes fundamentais: a família e a instituição de ensino. Quando escolas em parceria com as famílias caminham na mesma direção, o impacto no desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos alunos é extraordinário.
Durante a live do programa SOS Família, promovida pela School of Schools, a mediadora Liege Gasparim e o psicólogo, professor e palestrante Marcos Meier debateram os caminhos para construir laços que sustentam a formação de adultos maduros, conscientes e bem-sucedidos. Assista ao encontro pelo YouTube, disponível no final da página.
Um dos maiores obstáculos enfrentados na educação atual é a falta de alinhamento entre pais e educadores. Muitas vezes, em vez de agirem como aliados, ambos os lados entram em uma disputa contraproducente.
Marcos Meier destacou essa problemática ao comparar o cenário educacional atual com o de gerações passadas:
"Nós precisamos aprender que estamos no mesmo barco. Nós queremos a mesma coisa... Um grande problema em várias escolas no nosso país é a competição entre família e escola. É como se eles brigassem... Discussão ridícula! Porque se nós temos os mesmos objetivos, a gente tá na mesma direção, a gente tem que fazer parceria, fortalecer um o trabalho do outro."
No encontro, Liege e Marcos lembraram que, antigamente, a palavra do professor tinha um peso inquestionável em casa. Hoje, frequentemente observa-se o oposto: pais confrontando a autoridade pedagógica antes de compreender o contexto das situações. Para que o processo educacional seja saudável, é indispensável resgatar a confiança mútua.
Para ilustrar como funciona a educação parental e a prática pedagógica em sintonia, Marcos Meier utilizou a metáfora de um trem sobre dois trilhos:
"A educação do seu filho ou do seu aluno é como se fosse um trem sobre dois trilhos. Se um dos trilhos for alto e outro baixo, o trem tomba. Se um trilho faltar, não dá pra andar com duas rodas num trilho só... Só funciona se os dois trilhos estiverem na mesma direção e eles têm o mesmo tamanho, a mesma força."
O primeiro pilar dessa jornada é o afeto. Construir vínculos profundos exige escuta ativa tanto em casa quanto em sala de aula.
No ambiente familiar, muitos pais encontram dificuldades para dialogar com os filhos. A pergunta tradicional "Como foi a escola hoje?" costuma receber respostas monossilábicas. A orientação do especialista é inverter a lógica da conversa:
"Filho, deixa eu te contar uma coisa que aconteceu hoje lá no trabalho... Você compartilha com o seu filho... Quando você chega em casa... fique na mesma altura e fala assim pro teu filho: 'E você, filho, como foi seu dia lá na escola?' Agora ele já está em dívida, porque você já deu algo para ele, você já contou uma história... É uma troca, e nessa troca o vínculo se constrói."
Em sala de aula, o professor constrói o afeto validando a participação do aluno e acolhendo suas dúvidas sem permitir comparações, deboches ou bullying.
Um dos pontos mais importantes trazidos por Marcos Meier aborda a saúde emocional das crianças e adolescentes. Segundo pesquisas citadas pelo psicólogo, a ausência de um sentimento de pertencimento está diretamente associada ao isolamento e a quadros profundos de sofrimento psíquico.
"A ausência do sentimento de pertencimento... é um dos fatores principais que estão na falta de saúde emocional."
Para desenvolver o sentimento de pertencer, a criança precisa se sentir útil e integrada ao núcleo familiar. E a forma mais prática e eficaz de construir essa percepção é por meio das tarefas domésticas.
"Como desenvolver no seu filho o sentimento de pertencer?... A criança precisa se sentir parte, e isso significa que ela precisa participar! Tem que ter tarefas domésticas. Crianças que têm tarefas domésticas sabem que aquilo que ela faz é parte dela, portanto ela participa da família."
Mesmo desde muito pequenas (a partir dos dois anos), as crianças podem recolher o próprio prato, guardar brinquedos e colaborar com a rotina. Essa participação ativa gera autoconfiança, responsabilidade e a certeza de que a presença delas faz a diferença no grupo.
Quando a escola promove um ambiente de respeito, acolhimento e escuta entre toda a sua equipe, de diretores e professores a zeladores e porteiros, ela ensina valores por meio do exemplo prático.
Como sintetizou a mediadora Liége Gasparim ao abrir o encontro:
"Essa educação, esse educar, é uma construção que acontece todos os dias com a participação da família, da escola. Quando pais e professores caminham juntos, essa parceria pode fazer ainda mais diferença na vida das crianças e adolescentes."
Investir na relação entre escola e família é garantir que os dois trilhos estejam firmes, seguros e apontados para o mesmo destino: a formação de cidadãos autônomos, empáticos e felizes.
Quer saber mais sobre o que foi falado no encontro? Clique no vídeo abaixo e assista pelo YouTube!