A Bett UK 2026, maior evento global de inovação educacional, trouxe muito mais do que tendências tecnológicas. A feira confirmou movimentos estruturais que já vêm moldando o futuro da educação e reforçou um ponto essencial para escolas e gestores: sustentabilidade educacional passa por gestão profissional, educadores preparados e uso consciente da tecnologia.
Estar presente no maior evento global de inovação educacional foi uma escolha estratégica da School of Schools. Fomos até Londres com um objetivo claro: compreender o que há de mais atual no cenário educacional mundial e refletir, com responsabilidade, sobre o que de fato faz sentido para a realidade das escolas brasileiras.
Ao observar práticas já consolidadas em sistemas educacionais mais maduros, especialmente na Europa, torna-se evidente que o Brasil ainda enfrenta desafios básicos, mas urgentes. Planejamento, liderança pedagógica, organização de processos e preparo docente são pré-requisitos para qualquer avanço consistente. É justamente nesse ponto que a atuação da School of Schools se fortalece, apoiando escolas na construção de bases sólidas para um futuro que já começou.
A Inteligência Artificial foi o tema mais recorrente da Bett UK, o que deve se repetir também na Bett Brasil 2026, que acontece entre 5 e 8 de maio. Entre expectativas e questionamentos, Emerson Santos, CEO da School of Schools, foi claro ao posicionar o papel da tecnologia no contexto educacional:
“A Inteligência Artificial veio como apoio. O protagonismo continua sendo do professor.”
Segundo Emerson, a IA não ocupa o lugar do educador. Ela contribui com planejamento, pesquisa, organização, análise de dados e personalização do ensino, desde que esteja a serviço de um projeto pedagógico bem estruturado. O professor segue como mediador do conhecimento, responsável por dar sentido à aprendizagem, estimular o pensamento crítico e conduzir o processo educativo.
O cuidado está no uso sem critério. Quando utilizada sem reflexão pedagógica, a tecnologia pode levar à terceirização do pensamento. Quando usada com propósito, amplia possibilidades e fortalece o trabalho docente.
A Bett UK apresentou uma ampla variedade de soluções tecnológicas destinadas à avaliação, ao acompanhamento da aprendizagem, à análise de dados, à comunicação com famílias e à gestão escolar. O avanço é evidente, mas Emerson trouxe uma leitura estratégica importante sobre esse cenário:
“O que vemos são muitas soluções interessantes, mas quase sempre desconectadas entre si.”
Essa observação revela um ponto central para as escolas brasileiras. O desafio não está em adotar mais ferramentas, mas em estruturar processos, integrar informações e tomar decisões a partir de dados confiáveis. Sem organização e clareza de gestão, a tecnologia pode gerar mais ruído do que resultado.
Por isso, a School of Schools reforça a importância de começar pelo essencial: planejamento, liderança pedagógica, organização de rotinas e clareza estratégica. A tecnologia entra como apoio a esse processo, e não como ponto de partida.
Além da Inteligência Artificial, a Bett UK evidenciou temas que devem estar cada vez mais presentes no debate educacional. Inclusão, bem-estar, saúde emocional e uso consciente da tecnologia na educação apareceram de maneira recorrente ao longo do evento.
Nesse contexto, dois pontos se conectam diretamente: educação parental e detox tecnológico. Emerson destacou que não se trata de afastar crianças e jovens da tecnologia, mas de orientar o uso com consciência e intencionalidade pedagógica.
A família assume um papel fundamental nesse processo, ajudando a estabelecer limites, orientar escolhas e apoiar o desenvolvimento saudável dos alunos. A educação parental ajuda a estabelecer limites, orientar escolhas e apoiar o desenvolvimento saudável dos alunos. A escola, por sua vez, precisa caminhar junto com as famílias, fortalecendo essa parceria e construindo uma cultura de uso responsável da tecnologia.
Um dos conceitos mais fortes trazidos da Bett UK 2026 é o da intencionalidade pedagógica. A tecnologia só faz sentido quando está a serviço de um objetivo claro de aprendizagem, desenvolvimento humano e formação integral.
Emerson Santos reforçou esse ponto ao destacar que inovação não é sinônimo de facilidade:
“Não existem ferramentas milagrosas. Educação exige disciplina, trabalho e acompanhamento constante.”
Esse olhar reafirma que o básico bem feito continua sendo o maior diferencial das escolas. Inovar é alinhar propósito, método e prática, evitando modismos e decisões impulsivas.
Entre as competências essenciais para os estudantes do futuro, a comunicação ganhou destaque. Emerson chamou atenção para o surgimento de um novo gênero textual, o computacional, que envolve lógica, códigos, estruturação de pensamento e uso consciente de prompts.
Ao mesmo tempo, as soft skills se tornam ainda mais relevantes. Em um cenário de fragilidade emocional e aumento do adoecimento mental, habilidades como empatia, colaboração, escuta e convivência são indispensáveis.
A tecnologia pode apoiar esse desenvolvimento, mas não substitui a relação humana. As competências socioemocionais se constroem na interação entre pessoas, e não apenas na relação com sistemas ou agentes artificiais.
Os aprendizados da Bett UK reforçam que o principal desafio da educação brasileira ainda está na base. Antes de avançar em tecnologias mais sofisticadas, as escolas precisam garantir o essencial: organização, planejamento, clareza pedagógica e preparo dos educadores.
Emerson Santos destacou que o Brasil ainda enfrenta preocupações importantes relacionadas à entrega do básico com qualidade. Formação docente contínua, liderança pedagógica consistente e gestão profissional são pilares fundamentais para sustentar qualquer inovação.
Quando essa base está bem construída, a tecnologia passa a atuar como apoio, potencializando processos e fortalecendo a experiência educacional oferecida aos alunos e às famílias.
A Bett UK reforçou que inovação exige movimento, reflexão e clareza. A escola precisa se atualizar, repensar métodos e compreender que o aluno já nasce em um universo tecnológico. Criar um ambiente escolar desconectado dessa realidade não é uma opção.
Inovar, no entanto, não significa adotar tudo. Significa escolher com critério, correr riscos conscientes e manter a tecnologia como meio, nunca como fim.
Para a School of Schools, estar na Bett UK foi uma confirmação de caminho. Não se trata de correr atrás de tendências, mas de preparar escolas para um futuro real, exigente e em constante transformação.
A tecnologia será uma grande aliada, mas o protagonismo continuará sendo do educador, da gestão e das relações humanas. É com estratégia, intencionalidade pedagógica e foco no básico bem feito que a School of Schools segue apoiando escolas a avançarem com segurança em 2026.